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Incontinência urinária: sintomas e tratamento

Por Kassem Saidah


Enviado em 03 Mar 2017 - 12:04


Incontinência Urinária (IU) é uma condição comum observada em mulheres de todas as idades. É definida pela Sociedade Internacional de Continência como perda involuntária de urina, podendo causar problemas sociais e de higiene. Na entrevista abaixo, o ginecologista-obstetra e uroginecologista Kassem Saidah aponta os principais sintomas e tratamentos disponíveis. Ele ainda aponta que obesidade e idade avançada são fatores preponderantes para o desenvolvimento da IU. Acompanhe.

1.Quais os principais sintomas da IU?

• Existem vários sintomas que podem levar a IU, dentre eles podemos destacar:
Incontinência Urinária de Esforço (IUE): perda involuntária de urina durante os esforços ou exercícios físicos como por exemplo, ao tossir, espirrar, rir;
• Incontinência Urinária por Urgência: caracteriza-se pela vontade súbita de urinar que pode ocorrer em qualquer momento de seu cotidiano, perdendo urina mesmo antes de chegar ao banheiro;
• Incontinência Urinária Mista: perda involuntária de urina associada à urgência e também ao esforço ou exercício físico;
• Incontinência Urinária Postural: quando a paciente perde urina involuntariamente aos movimentos de mudança de posição;
• Incontinência Urinária Contínua: paciente perde involuntariamente e continuamente a urina;
• Incontinência Urinária Insensível: são aquelas situações em que a paciente não tem o conhecimento de como ocorreu a perda de urina;
• Incontinência Urinária durante o coito: paciente refere queixa de perda de urina durante o coito, podendo ser durante a penetração ou orgasmo;
• Enurese Noturna: perda involuntária de urina que ocorre durante o sono.

2. Existe grupo de risco?


Entre os fatores de risco que podem levar à IU podemos ressaltar: idade avançada, raça branca, obesidade, gravidez múltipla, deficiência estrogênica (menopausa), condições associadas ao aumento de pressão intra-abdominal (gravidez), tabagismo, doença do colágeno, neuropatias, histerectomias prévias, diabetes, etc.


3. Quais os tratamentos disponíveis?

Existem três caminhos que podem ser considerados como tratamentos eficazes: orientação clínica, tratamento clínico/medicamentoso e tratamento cirúrgico:
• Orientação clínica: nem todas as IU necessitam de tratamento clínico e/ou cirúrgico, como por exemplo a gravidez, a IU grau leve e alguns casos de mal formação congênita;
• Tratamento clínico/medicamentoso: nas IU por hiperatividade do detrusor, usam-se as drogas anticolinérgicas, a eletroestimulação também traz bons resultados. A reeducação vesical é aplicada para facilitar o desmame de medicamentos ou eletroestimulação. Nos casos de baixa complacência utiliza-se a cirurgia para ampliação vesical, nos casos de  IU paradoxal ou sobrefluxo, aquela que ocorre quando a bexiga não é esvaziada por longos períodos tornando-se tão cheia que origina o transbordamento de urina (ladrão da caixa d’água), nesses casos  realiza-se o cateterismo intermitente.Também pode realizar o tratamento comportamental (diário miccional), orientações gerais para pacientes obesas e com constipação intestinal, uso de fraldas, absorventes e tratamento das pacientes diabéticas e com doenças neurológicas. Faz inclusive parte do tratamento clínico os estrogênios locais e sistêmicos, os medicamentos alfa agonistas, antibióticos, acupuntura, a fisioterapia que pode ser orientada através do exercício de Kegel (cinesioterapia perineal), cones vaginais, eletroestimulação perinaeal, biofeedback (estímulos sonoro e vesical) e ginástica hipopressiva;
• Tratamento cirúrgico: existem na literatura várias técnicas cirúrgicas, principalmente para IUE por hipermobilidade uretral e deficiência intrínseca de esfíncter, sendo atualmente as mais recomendadas, cirurgia de “Sling” com utilização de alça natural ou sintética com passagem suprapubica ou transobituratória. Nos casos de IU paradoxal associada à obstrução infravesical por hipercorreção a cirurgia realizada é uretrolise.